A Europa sovina e as vacinas

Nota à la Minuta
Sexta-feira, 19 Março 2021
A Europa sovina e as vacinas
  • Alberto Magalhães

 

 

A gestão das vacinas ao nível europeu foi saudada como uma boa ideia. Merecidamente. Verificou-se depois que essa boa ideia foi transformada num fiasco, pela desastrada negociação que Bruxelas fechou com as farmacêuticas. Enquanto os EUA e o Reino Unido contrataram com datas de entrega e penalizações financeiras claras, em caso de atraso, a UE foi frouxa, pagou antecipadamente sem exigir garantias e acabou mal servida. O contrato com a AstraZeneca, agora conhecido, mostra que só lhe foi exigido que desenvolvesse os “melhores esforços” para entregar as vacinas “o mais cedo possível”.

Pior, segundo o Financial Times, enquanto o Reino Unido terá gastado 29 libras per capita na investigação da vacina e os EUA 27 libras per capita, a UE terá gastado apenas quatro libras per capita nesse processo. Para agravar a coisa, Bruxelas apostou sobretudo nesta vacina anglo-sueca – muito mais barata que as outras porque, convém dizer, a farmacêutica prescindiu dos lucros – e na francesa Sanofi que, hoje, ainda tem a sua vacina na 2ª fase de desenvolvimento.

Chegámos então a esta situação dramática: a Europa continua à míngua de vacinas e, enquanto o Reino Unido já vacinou 11 milhões de cidadãos com, pelo menos, uma dose da AstraZeneca, sem nenhum relato de tromboembolismo raro mas perigoso, a União vacinou apenas cinco milhões e, não contente com isso, decidiu fazer uma fita de todo o tamanho, levantando suspeições absurdas sobre a vacina e levando os britânicos, mesmo os que se opuseram ao Brexit, a agradecer aos santos por já não fazerem parte de tal manicómio.

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