A exaustão policial

Nota à la Minuta
Quinta-feira, 03 Outubro 2019
A exaustão policial
  • Alberto Magalhães

Ontem, 20 mil polícias manifestaram-se nas ruas de Paris, desesperados, por causa do excesso de trabalho. Lá como cá, os efectivos parecem poucos, e a criminalidade obriga a horas extraordinárias. Mas o pior, dizem os manifestantes, são… os manifestantes. Não eles próprios, mas os chamados “coletes amarelos”, que há meses não param de se manifestar, estragando fim-de-semana após fim-de-semana aos agentes policiais. Estes declaram-se à beira da exaustão e apontam como sinal da péssima situação da classe e do moral dos seus elementos, a taxa de suicídios, anormalmente alta, entre os polícias.

Daí, esta “marcha da raiva” policial que atingiu o auge (a raiva, claro) quando foi confrontada com umas dezenas de contra-manifestantes (“coletes amarelos”, pois então), empunhando fotografias de alegadas vítimas de violência policial.

Se os polícias franceses estão cansados, que dirão os de Hong Kong, onde os manifestantes são bastante mais numerosos e bem equipados e as marchas são diárias? Em Hong Kong, os manifestantes lutam por coisas tão básicas como a liberdade ou o sufrágio universal e directo. Os polícias representam um estado totalitário, que os cidadãos não querem integrar. A brutalidade de Estado confronta-se com a brutalidade do desespero. A exaustão não deve tardar.

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