A excitação anti-fascista

Nota à la Minuta
Quinta-feira, 10 Janeiro 2019
A excitação anti-fascista
  • Alberto Magalhães

 

 

A excitação anti-fascista, quando em demasia, acaba normalmente por se virar contra a democracia. Veja-se a facada em Bolsonaro que o alcandorou à presidência do Brasil. Ver-se-à no futuro o efeito político da violenta agressão ao líder do partido de direita radical Alternativa para a Alemanha, mas eu aposto que lhe será favorável.

Voltando aos nossos anti-fascistas caseiros, era bom que percebessem meridianamente a diferença entre criticar a atitude da TVI quando se dispôs a dar tempo de antena a um muito pouco recomendável Mário Machado, sem um mínimo de enquadramento ou de contraditório, e a criminalização do assunto.

Como não podia deixar de ser, a ERC, a Entidade Reguladora para a Comunicação Social, deliberou ontem que a entrevista em causa não indicía a prática de qualquer crime nem sequer de qualquer contra-ordenação, nada impedindo, à luz da Constituição e da lei, essa entrevista onde (e cito) “o que foi afirmado pelo entrevistado traduz a sua opinião, não indiciando prima facie [ou seja, à primeira vista] ilícito de incitamento ao ódio ou violência”.

Diz mais a ERC – e diz o óbvio, que os nossos activistas do anti-fascismo têm a obrigação de saber – diz que apesar do entrevistado ter sido condenado por vários crimes, é sabido que “cumprida a pena, extinguem-se todos os seus efeitos”, não estando ele, consequentemente, diminuido de quaisquer direitos.

Calar à força o inimigo era o que fazia o Estado Novo. Será que queremos fazer-lhe o mesmo na II República?

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