A fábrica de idiotas digitais

Nota à la Minuta
Terça-feira, 03 Novembro 2020
A fábrica de idiotas digitais
  • Alberto Magalhães

 

 

Em Abril do ano passado, dei aqui nota de que “em Palo Alto, Califórnia, no coração de Silicon Valley, capital das tecnologias digitais, os dirigentes da Apple, da Google ou da Microsoft,” mantinham “os seus filhos em colégios privados, onde não entram ecrãs antes do ensino secundário”.

Ontem, um amigo fez-me chegar a referência a um livro que está a ter grande saída em França, escrito por um reputado neurocientista, de seu nome Michel Desmurget, director de investigação do Instituto Nacional de Saúde francês. Comprei a edição digital em espanhol, bastante mais barata do que a francesa. Em castelhano, o título é “La fábrica de cretinos digitales”, e a BBC News anuncia-o com o título “Os ‘bebés digitais’ são as primeiras crianças com um quociente intelectual mais baixo do que o dos pais”.

Michel Desmurget, que passou pelo MIT e pela Universidade da Califórnia, apresenta muita investigação que mostra aquilo de que já suspeitávamos: a substituição do contacto relacional, ao vivo, pela interacção com ecrãs, seja o da a televisão, do computador, do tablet ou do telemóvel, tem efeitos muito prejudiciais no desenvolvimento intelectual, emocional e afectivo, com repercussão nas aprendizagens escolares e na saúde mental. Esses efeitos são tanto mais graves quanto mais cedo e mais intenso é o uso, ou melhor, o abuso que a criança faz, porque a deixam fazer ou a incitam a fazer, dos dispositivos digitais.

Em entrevista à BBC, Michel Desmurget indigna-se: “simplesmente não há desculpa para o que estamos a fazer aos nossos filhos, pondo em perigo o seu futuro e o seu desenvolvimento”.

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