A feira de misérias

Nota à la Minuta
Sexta-feira, 24 Junho 2022
A feira de misérias
  • Alberto Magalhães

São estes casos singulares que ajudam a destapar as misérias da condição humana e as misérias da sociedade portuguesa, não muito piores ou diferentes das que existem noutras latitudes. Refiro-me, claro, ao trágico e absurdo assassinato da criança sequestrada como penhor de uma dívida e morta à pancada por não se calar.

Primeiro, como pano de fundo, a miséria cultural e a miséria moral da progenitora. No ano de 2022, num país de 12 anos de ensino obrigatória, compra (com dinheiro que não tem) um bruxedo de ‘amarração’, para prender a si o companheiro. A mistura, teoricamente incompatível, da mais sofisticada ciência e tecnologia, com a crendice mais imbecil, espantaria qualquer extraterrestre que se dignasse visitar-nos. Que no, no las hay! Miséria moral de alguém que, sem as mínimas competências parentais, vai parindo filhos ao desbarato, talvez para se fazer valer da única competência que reconhece a si própria, a de engravidar e parir.

Depois, absurda mas corrente, a miséria do desleixo das instâncias competentes (neste caso, incompetentes) para assegurar a protecção desta criança. Por favor, não venham dizer que a culpa é de todos nós. Não sei o que pensam os meus compatriotas, mas eu, pelo menos, não admito que me atirem culpas neste caso. O seu aos seus donos. Dizer que a culpa é de todos para impedir que se averigue de quem é a culpa é manobra velha e relha. Voltaremos às misérias da protecção de menores.

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