A ficção e a vida

Crónica de Opinião
Quarta-feira, 21 Abril 2021
A ficção e a vida
  • José Policarpo

 

 

No sábado estive na inauguração do parque estacionamento do teatro de Garcia de Resende e tive a oportunidade de felicitar a Câmara Municipal na pessoa do Presidente pela obra de requalificação aí realizada. Todos nos recordamos o estado em que se encontrava o parque, há picadas africanas em melhor estado de conservação.

Contudo, esta obra é um dos poucos oásis na cidade de Évora. O parque de estacionamento em frente às conservatórias está em condições absolutamente inqualificáveis. Os buracos são mais do que muitos e o pó levantado pela circulação dos automóveis não é em menor número. Como, também, o parque de estacionamento em frente às anunciadas e nunca construídas docas secas, está num estado muito sofrível para não dizer inaceitável.

Na verdade, o preço a pagar pelas obras de requalificação destes parques de estacionamento, é avultado na ordem das centenas de milhar de euros. Dinheiro esse que, a câmara municipal de Évora, não tem. Não tem porque nunca foi gerida com as prioridades definidas para assegurar a manutenção dos equipamentos que servem a cidade e o concelho. Foi sempre gerida, não quero cometer nenhuma indelicadeza, talvez com a exceção do PDM inicial, à vista, para o curto prazo.

Ora, se a comunidade eborense pretende vir a ter a cidade e o concelho dotados de equipamentos e infra estruturas dignos e conservados, só poderá escolher um caminho. Exigir aos eleitos a priorização desses objetivos. E essa exigência não poderá só ser em anos de eleições. Deverá ser todos os dias, todos sem exceção.

Por isso, se a prioridade for a subsidiação desta ou daquela associação, por muito meritória que seja a sua intenção, em alguns casos tenho sérias dúvidas da sua utilidade para a comunidade, continuaremos a ser confrontados com a realidade atual. Com raras exceções, não deixaremos de ter uma cidade, tendencialmente, degradada.

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