A GALP e a electrificação do país

Nota à la Minuta
Quinta-feira, 07 Novembro 2019
A GALP e a electrificação do país
  • Alberto Magalhães

 

 

Segundo o jornal Público de anteontem, enquanto o governo português antecipa a electrificação quase total dos consumos energéticos até 2050, “a GALP acredita que o consumo global de petróleo continuará a crescer nas próximas duas décadas”. A empresa garante que “uma transição das fontes de energia primária” que seja “economicamente viável e socialmente justa” terá de ser gradual. Avisa também que “a dimensão da redução dos volumes” refinados, assumida pelo governo, pode comprometer a viabilidade da indústria refinadora, quando a venda de gasóleo e gasolina pesa mais de 5% nas nossas exportações.

Destruída a capacidade de refinação, continua a GALP, compraremos lá fora combustível para os aviões, os navios e os transportes rodoviários pesados, ou, pergunto eu, só admitiremos aviões, navios e camiões eléctricos ou a hidrogénio?

Em Janeiro, o ministro do Ambiente assustou-nos dizendo que em 4 anos os carros a gasóleo desapareceriam. Em Julho, o Conselho de Ministros brindou-nos com um Roteiro para a Neutralidade Carbónica 2050 visionário, alegadamente amigo do ambiente e – talvez – capaz de ser um autêntico coveiro de qualquer emergência climática, mesmo a catastrófica, anunciada ontem por 11000 alegados cientistas.

Resta saber se cumpre as condições da GALP, que aqui faço minhas: ser economicamente viável e socialmente justa.

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