A Ganância

Nota à la Minuta
Quarta-feira, 23 Outubro 2019
A Ganância
  • Alberto Magalhães

 

 

Lembro-me de, em miúdo, ouvir o meu pai ler a notícia sobre um papalvo que, chegado a Lisboa, comprou a Torre de Belém – achando ele que por tuta e meia, já que o edifício lhe pareceu imponente e capaz de ser revendido com um lucro muito substancial. A minha mãe, sensata, tratou de fazer pedagogia, explicando que, não fora a ganância morar no coração dos homens, os burlões teriam muita dificuldade em singrar.

Mais tarde, já adulto, assisti ao desfecho do caso da D. Branca, a chamada Banqueira do Povo, que aspirou as poupanças de muita gente, atraída por juros imbatíveis, num esquema em pirâmide que acabou por lhe fugir ao controlo e a levou à prisão.

Vem isto a propósito de uma reportagem TVI-Ana Leal, transmitida ontem no jornal das 20h. Meia dúzia de pessoas, penso que na maioria emigradas em França, chorando e queixando-se de terem sido levados a investir as poupanças de uma vida de trabalho num esquema ainda mais bizarro do que o da pirâmide. Se bem percebi, eram levados a depositar o seu dinheiro em contas abertas por empresas-fantasmas em bancos portugueses, autênticos sumidouros. Mas o que me levou a escolher este tema para hoje foi ter entendido que o chamariz da burla era a promessa – absurda – de um juro de 75% logo ao fim do primeiro mês. Vítimas?

A minha mãe tinha razão, no coração dos homens – e não só destes em particular – mora a ganância. Os casinos e a Santa Casa, também vivem dela. Fui a um site de citações (pensador.com) à procura de algo sapiencial sobre a ganância. Encontrei esta frase atribuída a Donald Trump: “Você nunca é ganancioso demais”.

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