A geografia da epidemia

Nota à la Minuta
Quarta-feira, 29 Abril 2020
A geografia da epidemia
  • Alberto Magalhães

 

 

O Alentejo é uma ilha e se não é parece. Na Madeira, existiam ontem 86 casos conhecidos de covid-19 e nenhuma morte. Nos Açores, 121 casos e 10 mortes. No Alentejo, 201 casos e uma morte. O Algarve, com 330 casos e 12 mortes, não se pode queixar muito, bem como a maioria dos concelhos rurais das Beiras e de Trás-os-Montes.

Outra é a situação no litoral Norte, sobretudo na área do Grande Porto. Vila Nova de Gaia, Porto, Matosinhos, Maia, Gondomar, Valongo e Felgueiras, são alguns dos concelhos com uma taxa de infectados de mais de 5000 por milhão de habitantes, mais do dobro da taxa do país (2356 casos por milhão). Por junto, a região Norte tem cerca de 14700 casos conhecidos e 546 mortes, que contrastam com a região de Lisboa e Vale do Tejo, com cerca de 5600 casos e 185 mortes.

Tudo isto para dizer que se, quanto às idades, podemos distinguir claramente as que são mais e as que são menos ou quase nada afectadas pelo vírus, também no que respeita às regiões e, mais finamente, aos municípios, as mesmas distinções se verificam. Cabe perguntar então, que sentido tem o confinamento na Pampilhosa da Serra, que não aparece sequer no mapa de casos por concelho da DGS (certamente porque tem menos de três infectados e é preciso proteger o misterioso segredo estatístico)? Fará sentido manter a mesma paralisia económica e o mesmo alarmismo social no concelho de Évora, com 19 casos confirmados, que em Felgueiras, com população semelhante e 308 casos?

Parece razoável dizer que, mantendo as precauções mínimas exigidas em todo o país, e adaptadas a cada actividade e escalão etário, há municípios onde talvez se pudesse desconfinar com mais confiança e rapidez.

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