A Geringonça de Pedro Nuno

Nota à la Minuta
Quarta-feira, 03 Novembro 2021
A Geringonça de Pedro Nuno
  • Alberto Magalhães

Já falei, em termos de possíveis soluções pós-eleitorais, da solução Geringonça II, apadrinhada pela ala esquerdina do PS, e da solução Maioria Absoluta do PS (com ou sem PAN), enunciada por António Costa como maioria “estável, reforçada e duradoura”, quando constatou o desaparecimento das “condições de governabilidade”, que deixaram de existir com o chumbo do OE.

Ontem, em Vila Real de Santo António, Pedro Nuno Santos, abriu finalmente a boca e, nas palavras do jornalista João Pedro Castanheira, no DN, declarou que “não se conforma com o fim dos entendimentos à esquerda… desautorizando o discurso da maioria absoluta… ensaiado pelo chefe do Governo.”

O ministro das Infraestruturas, terá deixado claro que, quem considera o fim da Geringonça como a prova da impossibilidade de uma solução à esquerda, se situa normalmente à direita – sendo importante, disse ele, também referir isso, porque isso tem uma lógica” e, toca de aplicar mais lógica, para nos convencer de que, se a Geringonça durou seis anos e funcionou com tão bons resultados para o país, logicamente, pode repetir-se.

Mas, digo eu, agora arrumado com António Costa na prateleira direita, tendo em conta a história concreta da Geringonça e conhecendo a natureza e o carácter do PS, por um lado, e do PCP e do BE, por outro, não será mais lógico afastar para as calendas um retorno da unidade de esquerda? Serão os zangados eleitores de esquerda incautos ao ponto de votarem, de novo, num projecto acabado de se desmanchar?

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