A greve “cirúrgica” dos enfermeiros

Nota à la Minuta
Segunda-feira, 04 Fevereiro 2019
A greve “cirúrgica” dos enfermeiros
  • Alberto Magalhães

 

 

A chamada “greve cirúrgica” dos enfermeiros corre o risco de ficar para história como paradigma de greve impiedosa. Concebida para custar pouco aos grevistas e muitíssimo aos utentes do Serviço Nacional de Saúde, a greve nos blocos operatórios é justificada pelos seus mentores como sendo o último recurso perante um governo intransigente. Como dizia, há dias, uma dirigente sindical, é preciso que uma greve doa, para ser eficaz.

Esta verdade de La Palisse quando falamos de greves no sector privado, torna-se mais discutível quando se trata do sector público. Porque aí, habitualmente, mais que um governo – intransigente que seja face às exigências dos funcionários – sofrem os utentes dos serviços afectados.

Que um tribunal arbitral se tenha decidido por serviços mínimos tão mínimos que têm deixado de fora milhares e milhares de cirurgias, é para mim incompreensível. Haverá assim tantas intervenções que, para além do que já esperaram em lista, podem ser adiadas sem repercussão séria na saúde do doente?

A instituição dos serviços mínimos deve ter em conta três princípios: da necessidade, da adequação e da proporcionalidade. Foram tidos realmente em conta? Quem é que, na prática, decide as cirurgias que se enquadram nos serviços mínimos?

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