A guerra e a invasão da Ucrânia

Quinta-feira, 03 Março 2022
A guerra e a invasão da Ucrânia

 

 

Sempre fui contra o pensamento único, as visões a preto e branco, a arrogância dos que têm verdades absolutas, os que proclamam as novas verdades contra os demónios, as verdades programadas sem crítica, as meias-verdades … nem é preciso ler, argumentos não interessam, conhecimentos desprezam-se.

A violação do território de um país, não é admissível face ao direito internacional. As invasões são condenáveis. É condenável na Ucrânia, como a ocupação e bombardeamento recorrente dos territórios palestinianos, como a invasão e destruição da Jugoslávia, do Iraque, da Síria, da Líbia, do Afeganistão, Iémen, etc., etc.

Putin faz parte de um grupo que tomou o poder, primeiro na sequência de um aplauso ocidental com Yeltsin, apropriando-se, ele e os seus amigos, dos recursos da Rússia, com aplauso dos neoliberais; outros oligarcas do mesmo tipo, máfias também, surgiram na Ucrânia, levando a uma emigração descontrolada;

Na Rússia atual não há democracia. Mas na Ucrânia também não há. O regime pró-ocidental atual surgiu de um golpe de estado na praça Maidan, com milícias que invadiram até o parlamento eleito. Fizeram-se eleições controladas, onde muitos milhões não puderam votar. Mais de oito milhões de russos ucranianos, centenas de milhares de tártaros, outras minorias que falam polaco, bielorrusso, moldavo, húngaro, russino, estão proibidos de falar a sua língua nos organismos oficiais, incluindo as escolas. No censo de 2001 67,5 % falavam ucraniano, 29,6% russo.;

Para além de Putin, que suponho que já não durará muito, há a Rússia e a Ucrânia. E muitos russos das diferentes repúblicas estão descontentes e indignados com a invasão. A Rússia é também um país que contribuiu para a cultura europeia e para a civilização universal, com Tolstoi, Dostoievsky, Gorki …, Chostakovitch, Tchaikovsky, Stravinsky, … Kandinsky, Chagal, … tantos matemáticos, investigadores, jogadores de xadrez, astronautas, etc, etc. Muitos deles são comuns a uma cultura russa e ucraniana. Durante a segunda guerra mundial, quando tudo parecia perdido, quando a França de Pétain, a Hungria e outros, despachavam comboios de judeus e outros suspeitos para os campos de morte, combatia-se na Rússia, Ucrânia e Bielorrússia que ficaram devastadas. Nos territórios da antiga URSS foram mais de 20 milhões de mortos!

A ideia é aniquilar ou encerrar a Rússia? Espero que não. Espero que se integre e seja integrada. Como dizia De Gaulle: A Europa vai do Atlântico aos Urais.

Agora temos as sanções. Serão algumas legítimas em situação de guerra, como o embargo de armas. Mas há sanções que põem em causa o sistema financeiro mundial, a confiança, a credibilidade e a continuidade. A censura torna-se perigosa. Grave também é o boicote ao desporto e à cultura. A história mostra até que pode ser contraproducente: se os EUA tivessem boicotado os Jogos Olímpicos de Berlim em 1936, nunca teriam a vitória do atleta Jess Owens que ajudou a destruir a doutrina racista de Hitler;

Os refugiados. É fundamental tomar medidas para os acolher. Mas a todos, da Ucrânia, a todos das várias guerras. Há muitos que só podem fugir para a Rússia, porque são ucranianos russos e não os querem noutros lados. Agora aparecem alguns países “solidários”, quando ainda há pouco víamos refugiados sírios a tiritar de frio junto às fronteiras eletrificadas da Polónia e Hungria. O Brexit ganhou em parte por xenofobia em relação ao “canalizador polaco”.

Por vezes chego à conclusão que é tempo desperdiçado falar destas coisas. Mas cada um pense o que quiser.

De resto, tudo bem. Esperemos pela inflação e outras consequências. Como de costume, os países periféricos vão pagar as crises que outros provocaram.

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