A guerra é a paz

Nota à la Minuta
Sexta-feira, 25 Fevereiro 2022
A guerra é a paz
  • Alberto Magalhães

Tal como previsto, Putin acorreu a salvar os pobres separatistas do Donbass das garras dos ferozes neonazis ucranianos, antes que se tornassem mais raros que os rinocerontes brancos. Pondo em prática o conceito orwelliano de novilíngua, Putin retirou 100 mil homens e eles cresceram para mais de 150 mil; cercou a Ucrânia, um país inexistente; gozou com os histéricos que previam a invasão, enquanto a preparava; e invadiu um país soberano para defender dois países inventados na véspera. Enfim, fez a guerra com uma força de manutenção de paz.

Perante a prudente recusa do Ocidente em defender militarmente a Ucrânia, Putin sentiu-se livre para avançar. Veremos onde vai parar. Ontem lembrei-me daquele poema: “um dia vieram e levaram o meu vizinho judeu, como não sou judeu, não me preocupei”, que acaba com a prisão do autor, e adaptei: “hoje Putin invadiu a Ucrânia, como não somos ucranianos não nos incomodámos demasiado”. Mas estou a ser pessimista.

Vejamos o lado positivo do terrível acto do novo czar de todas as rússias. O seu desejo de desunir a UE e a NATO, deu, paradoxalmente, um bom contributo para o reforço de ambas as instituições. Mostrou também que a dependência da Rússia, no sector energético é uma péssima ideia. Além do mais, exigindo uma zona de influência a circundar a sua fronteira europeia, Putin acaba de aumentar, e muito, a desconfiança dos seus vizinhos, cada vez mais convencidos de que a sua adesão à NATO foi providencial.

Mas que as democracias liberais e o nosso confortável modo de vida correm um risco enorme, mete-se pelos olhos adentro.

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