A igualdade de Género na Educação

Nota à la Minuta
Quarta-feira, 27 Novembro 2019
A igualdade de Género na Educação
  • Alberto Magalhães

 

 

Ontem, a divulgação do relatório anual do Conselho Nacional de Educação, intitulado “Estado da Educação 2018”, provocou comoção em vários organismos públicos – com a Comissão para a Cidadania e a Igualdade de Género à cabeça – e associações e grupos da sociedade civil, dedicados à luta contra as desigualdades entre homens e mulheres – entre as quais se destacaram, pela sua veemência, a reacção das Capazes e a da UMAR.

Com efeito, tendo por bem estabelecido que as capacidades cognitivas, de concentração e de aprendizagem são iguais nos homens e nas mulheres, ficará bem claro que a diferença de género na percentagem de pessoas com o ensino secundário (75% das mulheres e 83% dos homens) e, sobretudo, a diferença, na faixa etária dos 30 aos 35 anos, do número de pessoas com o ensino superior (24,1% das mulheres e 42,5% dos homens) só pode traduzir o efeito de uma sociedade patriarcal e de uma escola ainda eivada de machismo.

Peço muita desculpa aos ouvintes, mas tenho estado a mentir desde o início desta nota. As diferenças entre os sexos, por mim apontadas, existem realmente, mas os números estão trocados. Sim, como titulava ontem o Correio da Manhã, “Mulheres doutoras dobram os homens”. Não, o resto dos media, não deu por isso, a Comissão para a Igualdade também não e muito menos os grupos feministas que mencionei. E eu, apenas quis proporcionar-lhe, a si, uma experiência mental do tipo “e se fosse ao contrário?”. Não me leve a mal.

Que as mulheres dos 30 aos 35 com curso superior completo fossem, no ano passado, quase o dobro dos homens da mesma idade, só pode ser um sintoma saudável de que a igualdade de género vai de vento em popa.

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