A inefável Joacine

Nota à la Minuta
Quarta-feira, 07 Outubro 2020
A inefável Joacine
  • Alberto Magalhães

 

 

A deputada Joacine Katar-Moreira, depois do sarrabulho com o Livre, partido por que foi eleita e que ela, agradecida, ajudou a reduzir à insignificância, caiu no esquecimento. Eis que, três dias atrás, a deputada resolveu usar táctica semelhante à do seu colega da extrema-direita, estralejando bombinhas de fel, para notarmos que existe. Aproveitou, decerto, leituras americanas importadas de fresco pela Amazon, e dispôs-se a pôr os pontos nos is na lusa pátria, escrevendo assim:

“As feministas brancas nunca me representaram. Não por serem brancas mas porque o feminismo branco é intrinsecamente elitista e racista. As mulheres (e homens) brancas também oprimem e apenas questionam partes do sistema do qual são parte importante. A parte que lhes toca”, e logo acrescentou:

“É preciso ler autoras feministas negras e interseccionais para aprofundar a questão, aprender a escutar e a ver o mundo e as lutas de outro prisma”

Homens hetero vs GBTI; homens vs mulheres; mulheres hetero vs LBTI; brancas vs negras; negros vs brancos; negros vs ciganos… Desculpe Joacine, mas chegou atrasada. A interseccionalidade em Portugal tem por pai Francisco Louçã. Prova disso é que o Portugalex, na Antena Um, há anos que goza com ele, pondo-o a defender a inclusão das mulheres negras, lésbicas e invisuais, dos ciganos gay ou das transexuais negras anãs. Deixo uma sugestão: não se esqueça das operárias, sejam elas negras, bissexuais, canhotas ou asmáticas. Afinal de contas quando só contávamos com burgueses (grandes e pequenos), proletários e camponeses, as coisas eram mais claras.

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