A libertação da Europa e a censura

Nota à la Minuta
Quinta-feira, 06 Junho 2019
A libertação da Europa e a censura
  • Alberto Magalhães

 

 

No dia 6 junho de 1944, milhares de soldados americanos morreram nas praias da Normandia, durante o desembarque que viria a marcar o início da derrocada nazi. Além das baixas nos exércitos em confronto, dezenas de milhar de civis franceses e italianos, morreriam nos meses seguintes, vítimas de “fogo amigo”, danos colaterais de bombardeamentos libertadores, mas pouco rigorosos na precisão. Aos olhos contemporâneos, não custa considerar tal morticínio como crime de guerra, apesar de essencial para libertar a Europa.

Imagine-se agora que, assim como existem negacionistas do holocausto judeu, também existiam negacionistas destes bombardeamentos americanos. Haveria motivo para os considerar foras-da-lei, como são considerados os primeiros? Deveriam ser baninos do Facebook e do YouTube, por adulterarem grosseiramente a factualidade histórica? Até onde é admissível o lápis da censura? Deveremos confiar nestes gigantes digitais para eliminarem a informação que acharem inconveniente? Onde se traçam as fronteiras? Eliminam-se só as que incitam claramente ao ódio e à violência ou vai-se mais longe e interditam-se as que prometem curas milagrosas para o cancro ou para a homossexualidade, ou ainda as que, simplesmente, defendem que a terra é plana?

É bom que se vá pensando nisso. Eles também andam a pensar nisso.