A magia de Centeno

Nota à la Minuta
Quarta-feira, 18 Dezembro 2019
A magia de Centeno
  • Alberto Magalhães

 

 

Mário Centeno consegue, com a proposta de orçamento que apresentou para 2020, mais uma proeza que fará dele o pior ministro das Finanças da democracia, com excepção de todos os outros. Então não é que, em vez da nova bancarrota saída do Inferno pela mão do próprio Demo, Centeno promete para o ano um excedente orçamental? Coisa pouca – duas décimas do PIB – mas nunca alcançada desde 1970! Que poderia ser maior – cinco ou seis décimas – não fora o sorvedouro do Novo Banco.

É verdade que Centeno é odiado por muitos dos seus colegas, sejam do Banco de Portugal ou estejam de serviço ao comentário económico-financeiro, quer nos media quer nos partidos da oposição, sobretudo porque lhes tem frustrado as previsões catastrofistas, ostentando anualmente a medalha de “Boas Contas” e aparecendo nas sondagens como o político preferido dos portugueses.

Por isso, também os seus colegas de governo e os gestores dos serviços públicos, se vêm enfadando frequentemente com ele, pois arcam com as responsabilidades quando a máquina falha, alegadamente por falta de investimento público. Ainda por cima, quando se queixam, o ministro alega que o problema não é de falta de verba, mas de gestão defeituosa.

Centeno é do piorio? Sem dúvida! Talvez por isso, o país precise dele e da sua determinação em fazer baixar a dívida pública estupidamente alta, que nos estrangula com juros. Por isso, eu faço votos para que o reelejam como presidente do Eurogrupo. Apesar de o detestar e de o saber culpado de imensas coisas más que acontecem neste país.

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