A maior dissimulação Democrática

Crónica de Opinião
Quarta-feira, 29 Novembro 2017
A maior dissimulação Democrática
  • José Policarpo

 

 

Desde de pessoas instrumentalizadas em “focus group” para que o governo passe uma imagem pública de que está preocupado com as expectativas dos governados, leia-se do povo, à péssima gestão dos vários dossiês, tudo aquilo que o governo tem realizado e feito nos últimos tempos, não tem sido gerido com a cabeça como seria expectável, mas aparentemente com os “pés”. O último desentendimento com Bloco a propósito da taxação das renováveis é a prova provada disso mesmo. E, a fama de que é um governo pouco sério e falta à verdade, dificilmente se livrará.

Para mim isto tem uma explicação maior. A atual governação saiu de um entendimento parlamentar entre o PS e os partidos radicais da esquerda. Embora exista legitimidade formal para esta solução politica, a nossa Constituição fora construída para a evitar. Portanto, não só são responsáveis por esta solução os que dela diretamente beneficiam. Há muitos agentes políticos e agentes sócios-económicos, que também devem assumir as suas quotas-partes de responsabilidade, porquanto, caucionaram e caucionam a atual solução politica.

O governo nunca governou. Simula que governa. Anda na realidade a reboque do Bloco e do PCP, cedendo aos programas políticos destas duas forças partidárias. Foi a forma que este PS encontrou para sobreviver politicamente. Será um preço demasiado pesado para o Portugal moderno.

Na verdade, estas duas forças político-partidárias não representam mais do que 20% do eleitorado. Por conseguinte, aquilo que se passa na governação em Portugal, não é mais do que uma “burla” democrática. Significa isto que estamos a ser governados por uma minoria parlamentar de facto.

Ora, face a tudo o que se tem assistido desde dos fatídicos acontecimentos de Pedrogão grande, passando pelo furto de Tancos, à progressão das carreiras e aos figurantes de Aveiro, isto tudo, de forma absolutamente, inequívoca, tem demonstrado uma total incapacidade do governo para governar os portugueses. Está, portanto, em curso um processo de agonia democrática. Todos, ou, quase todos, pagaremos muito caro o desmando em curso. Só não se sabe quando, nem como.

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