A miséria do populismo francês

Nota à la Minuta
Terça-feira, 19 Abril 2022
A miséria do populismo francês
  • Alberto Magalhães

Será mesmo verdade, como os resultados da primeira volta parecem demonstrar, que um em cada três franceses é de extrema-direita e quer uma França nacionalista e isolacionista, com um regime autoritário decalcado do regime húngaro, ou mesmo do russo? Ou será que, como disse ao ‘Observador’ Luc Rouban, autor de “O Paradoxo do Macronismo”, “Le Pen já não é tanto a representante da extrema-direita, mas sim a representante da raiva da classe trabalhadora”, justificando-se, portanto, que mais de 20 % dos eleitores de Mélanchon, da esquerda radical, ponham a hipótese de votar Le Pen, que quase 38% tencione votar branco ou nulo e apenas 33% se disponha, à partida, a votar Macron? Como é possível que Mélenchon seja incapaz de pedir o voto em Macron, ficando-se por um cínico aceno à abstenção?

Ouvir um extremista francês, seja da direita seja da esquerda, falar da situação política do país, pode ser surpreendente. Sendo a França um dos países mais ricos do mundo e, ainda por cima, ao contrário do que sucede nos EUA, com sistemas de Saúde e de Segurança Social, de excelente qualidade e acessíveis a todos; sendo o ordenado mínimo francês de fazer inveja à maioria dos europeus; tendo o desemprego diminuído no mandato de Macron e a economia melhorado; como se compreende tanta raiva contra o Presidente?

Pior, como é possível que gente que se acha de esquerda coloque no mesmo patamar ou num patamar superior, uma candidata subsidiada pela Rússia para desestabilizar a UE e acabar com os direitos, liberdades e garantias que são os pilares e as vantagens do mundo ocidental?

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