A missão da CGD

Crónica de Opinião
Sexta-feira, 28 Abril 2017
A missão da CGD
  • Rui Mendes

 

 

A Caixa não deixa de nos surpreender. E por razões que nos devem inquietar.

Após o capítulo da sua recapitalização, ou o da constituição dos seus Conselhos de Administração, chegámos agora à fase da implementação das medidas respeitantes à sua reestruturação.

Naturalmente que teremos que concordar com a execução de medidas que venham a redimensionar a instituição e permitir dar-lhe competitividade, para que a CGD não seja um sorvedor de dinheiros públicos.

Mas por alguma razão se pretende manter um banco público.

E não será meramente para ser apenas mais um banco a concorrer no mercado.

Precisamente pela sua condição de banco público, a sua missão é diferente. Terá que ter um papel de apoio à economia, mas também de apoio aos cidadãos, apoio em sentido lato.

E se enquanto instituição bancária terá que saber captar recursos financeiros, e promover o seu empréstimo apoiando empresas e particulares, também terá que saber estar presente onde o país necessita que esteja, de forma a apoiar os cidadãos, terá que estar onde territorialmente se justificar, onde for necessário a sua proximidade aos cidadãos.

E no meio rural, onde a população é mais idosa, onde as populações têm as instituições bancárias como uma absoluta necessidade, a CGD terá que ter presença.

Para além do mais em muitas das localidades do dito interior do país a concorrência não existe como nas cidades. Por vezes a instituição bancária existente é apenas uma, logo ao terminar ali a sua actividade deixa um vazio que não será ocupado por outro.

Muita coisa hoje se estranha. Tenhamos memória.

Quando no passado recente se encerraram escolas, que quase não tinham alunos, se agruparam tribunais, para lhes dar maior capacidade, se agregaram freguesias, algumas que não tinham qualquer condição para apoio à população pela sua pequeníssima dimensão, era um amontoado de críticas, de contestação permanente.

Hoje chegámos ao ponto de deixar algumas povoações sem bancos e está tudo bem. Só os pobres dos cidadãos ali residentes se queixam, porque de facto serão eles que terão de se deslocar por vários kms para resolver os seus problemas.

É assim que agravam as diferenças entre os territórios.

Não deixa de ser uma forma de solucionar os problemas da CGD. Fechar agências e reduzir trabalhadores, sem os despedir porque no contexto actual reduz-se sem despedir. Eliminam-se 2300 postos de trabalho enviando trabalhadores para aposentações antecipadas ou para rescisões amigáveis, mas não se despedem. O termo de despedir tem uma conotação que no contexto actual e para o caso em apreço não deve ser utilizado, ou seja, reduz-se pessoal sem despedir. Tipo peace and love.

Digamos que é uma forma mais optimista de ver o problema.

Como também foi fácil resolver o problema da BANIF ou do Novo Banco, o primeiro foi vendido a saldo, o segundo nem isso.

Mas o que importa é “resolver” os problemas e ter o povo feliz.

Até para a semana

Rui Mendes

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