A moção de censura do CDS

Nota à la Minuta
Quarta-feira, 20 Fevereiro 2019
A moção de censura do CDS
  • Alberto Magalhães

 

 

Hoje, o Parlamento português discute a moção censura ao governo que o CDS resolveu apresentar, dizendo-o esgotado e acusando-o de não ter aproveitado uma conjuntura económica favorável para fazer melhor.

Assunção Cristas, de sorriso matreiro, esclareceu a oportunidade da iniciativa: que cada força política se posicione claramente face ao governo, é o seu desejo sincero. Sob pretexto de obrigar comunistas e bloquistas a salvar o governo em que têm zurzido sistematicamente nos últimos tempos, Cristas tenta, com esta manobra, envergonhar o PSD, obrigando-o a votar a reboque do CDS.

É evidente que, logo após ter anunciado a sua intenção de censurar o governo, foi o CDS o alvo de todas as censuras. À esquerda, foi acusado de eleitoralismo e de apenas pretender disputar aos social-democratas a liderança da oposição. O PSD, por sua vez, tratou de qualificar a iniciativa de inconsequente e até poderá aproveitar o debate de hoje para acusar o CDS de servir de cola a uma geringonça que começava a desconjuntar-se. Marques Mendes, que considerou incontornável a abstenção social-democrata, será desfeiteado pelo voto favorável dos deputados do PSD, por uma vez em perfeita sintonia com Rui Rio.

Quanto a mim, todos os partidos com assento parlamentar deveriam acautelar-se. A última sondagem conhecida não favorece nenhum deles.

Social Media Auto Publish Powered By : XYZScripts.com