A monarquia caiu há 110 anos

Nota à la Minuta
Segunda-feira, 05 Outubro 2020
A monarquia caiu há 110 anos
  • Alberto Magalhães

 

 

As comunidades humanas, ancestralmente, têm uma tendência não despicienda para se organizarem hierarquicamente. Mesmo nos 500 anos de regime republicano em Roma, terminado pouco antes da era cristã, a elite dos grandes proprietários, os patrícios, dominava o senado, tendo os plebeus de se contentar com mais ou menos migalhas de poder. Algo parecido se pode dizer das repúblicas marítimas italianas, como Veneza e Génova, ou, já no séc. XVII, da República das 7 Províncias Unidas dos Países Baixos e do breve período republicano inglês.

Não admira por isso que, na maior parte do mundo e na maior parte da História, a maioria dos povos tenham sido governados por oligarquias mais ou menos despóticas, tendo à cabeça um monarca, escolhido e aceite pela elite como líder. Como a cooperação e a competição estão sempre presentes, em equilíbrio instável, nas nossas relações sociais, a transmissão hereditária do poder mostrou-se menos sangrenta do que as disputas pelo lugar alfa. Tem, porém, um inconveniente, que por vezes se torna insuportável: o herdeiro nem sempre está, por falta de vocação ou de estofo, à altura da responsabilidade exigida pelo lugar.

Então, para além de um pragmático afastamento e substituição do monarca, restam dois caminhos mais, como dizer, estruturais: ou transformar o monarca num símbolo de unidade, retirando-lhe todo o poder de governo, como fizeram na Inglaterra e em vários países europeus, ou derrubar a monarquia e proclamar a República. Como fez Portugal há 110 anos.

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