A morte de Freitas do Amaral

Sexta-feira, 04 Outubro 2019
A morte de Freitas do Amaral

Começou por ser o Freitas do Mal. Fundador de um partido destinado a acoitar fascistas disfarçados de democratas, com o objectivo de sabotar a revolução popular do 25 de Abril sempre. Para mais, o CDS de Freitas atreveu-se a votar contra uma Constituição que punha Portugal, sob a tutela do MFA, a caminho de um socialismo dos amanhãs que cantam; teve o atrevimento de se juntar a Sá Carneiro para governar Portugal à direita; Atreveu-se ainda a concorrer à Presidência da República, com o apoio de 49% dos votantes, tudo gente da direita ou povo bom enganado pela direita.

Este era o retrato que se fazia à esquerda, em tempos que já lá vão, do Professor Freitas do Amaral, que ontem faleceu com 78 anos. Demonizava-se o homem por, cumprindo as regras do jogo democrático, defender as suas ideias. Eu sei, porque fiz campanha contra ele.

Genuíno democrata-cristão europeísta, Freitas pensou poder construir o CDS de centro-direita, mas depois de 48 anos salazarentos, não havia hipótese de uma verdadeira direita crescer abertamente. O PPD/PSD, como a sigla indica, também queria o centro e o CDS paulatinamente foi empurrado, interna e externamente, para a direita. Freitas do Amaral, manteve-se no mesmo lugar e saíu do partido que fundara.

Diz-se que a passagem pela Presidência da Assembleia Geral da ONU o tornou mais atento à pobreza e às desigualdades, fazendo-o deslizar mais para a esquerda. Não sei. O que é certo é que foi um homem íntegro e que pensava com independência. Por isso, desiludiu e irritou muita gente, sobretudo no partido que fundou e na área política em que se moveu. Se agora todos o elogiam é porque está morto.

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