A motivação dos alunos

Nota à la Minuta
Segunda-feira, 18 Novembro 2019
A motivação dos alunos
  • Alberto Magalhães

 

 

O propósito anunciado pelo Ministério da Educação de extinguir tendencialmente as reprovações no ensino básico, tem sido muito criticado, por ser tendencialmente laxista ou facilitista. No Expresso de sábado, Miguel Sousa Tavares clarifica o raciocínio que sustenta esta opinião. Diz ele (e cito): “um aluno que sabe que não chumbará em caso algum, não tem qualquer motivação para aprender”.

Ora, apesar de generalizar abusivamente, ou talvez por isso, esta afirmação revela o calcanhar de Aquiles da escola tradicional: a criança que, antes de ser aluno, demonstra uma saudável, insaciável e por vezes até irritante curiosidade, sobre tudo e nada, quando entra no sistema perde, mais ou menos repentinamente, qualquer motivação para aprender, que não seja a passagem de ano (agora estou eu a generalizar abusivamente, pois há resistentes e resilientes que não se deixam desmotivar, por mais aborrecida e tristonha que seja a escola que lhe fornecem).

Ministério e opositores deveriam, na minha humilde opinião, começar por fazer esta pergunta: – por que razão a Escola tira a alegria e a vontade de aprender a tantas crianças?

Escusam de me vir com o argumento de que nem tudo pode dar prazer na escola, que os alunos para aprenderem têm de se esforçar e trabalhar. Com tudo isso eu concordo em absoluto. Mas então, se tiverem genuína vontade de aprender, isto é, se não a tiverem perdido e antes a virem aumentada por uma escola diferente, não terão gosto em se esforçar e em trabalhar?

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