A neutralidade da 5ª coluna

Nota à la Minuta
Segunda-feira, 04 Abril 2022
A neutralidade da 5ª coluna
  • Alberto Magalhães

É muito curioso ver como certos opinadores são tão grandes defensores da verdade que, dizem eles, deve sobrevir do “verdadeiro trabalho jornalístico”, aquele que, intrigantemente, parecem achar quase impossível de existir numa guerra, onde todos seríamos vítimas das “máquinas de propaganda russa e ucraniana”. Põem assim, lado a lado, equivalentes, as mentiras óbvias de uma potência invasora, com mecanismos de censura interna que fariam dos censores salazaristas uns meninos de coro, com a informação obtida por todos os jornalistas ocidentais a trabalhar na Ucrânia, reduzidos à condição de basbaques que engoliriam, cheios de inocência, as manipulações ucranianas, encenadas por esse génio da contra-informação chamado Zelensky.

Encontram-se centenas de mortos (homens, mulheres e crianças) em territórios abandonados pela tropa russa, muitos atados de pés e mãos e executados com tiros na cabeça? Para estas aventesmas, tanto poderão ser vítimas de crimes de guerra russos, como de crimes de guerra ucranianos. Quem sabe? Assim discorrem seres da esquerda baixa, como Carmo Afonso no Público, ou apaniguados confessos de Putin, como Alexandre Guerreiro, alegadamente a trabalhar para nós na Presidência do Conselho de Ministros.

Perante tanto sentido crítico, que nos aconselha a não tomar partido enquanto os alegados factos não transitarem em julgado, eu declaro aqui o meu vómito, não por gostar de ser enganado pelo jornalismo de causas, mas porque há muito deixei de ser enganado pelos que insistem em comparar as democracias ocidentais e as suas instituições com regimes de opressão feroz, como é o caso do russo. Já no tempo da cortina de ferro, bastava perceber para que lado as pernas corriam.

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