A ordem e a desordem

Crónica de Opinião
Quarta-feira, 04 Outubro 2023
A ordem e a desordem
  • José Policarpo

É consabido que, o nosso regime é democrático, e, ninguém, está acima da lei. Os casos do “ataque” ao ministro do ambiente e os danos provocados numa agência de mediação imobiliária durante a manifestação a favor da habitação, são, per si, inaceitáveis à luz da boa convivência democrática.
O direito à manifestação é um direito fundamental, como são os direitos à propriedade e à habitação. Não podemos, todavia, aceitar que a propósito de um exercício de um direito, tenhamos que, aceitar a restrição dos outros, a níveis insuportáveis.
Na verdade, o que aconteceu ao ministro do ambiente, é intolerável. Os atos praticados por aquelas jovens são censuráveis a todos os níveis e deverão ter as consequências previstas na lei. Se as jovens querem mudar de governo e de políticas, mobilizem-se na altura das eleições para esse efeito. Em democracia as alterações só podem ser levadas a cabo através do sufrágio universal e direto. O exercício de um direito não pode violar as regras pré-estabelecidas.
Do mesmo modo, os atos que levaram aos danos na agência de mediação imobiliária, assim o entendam os proprietários, a lei também aqui deverá funcionar através das consequências previstas para os prevaricadores no caso em apreço.
Ora, não deverá haver tolerância para com as condutas que violem a ordem pública e a paz social. De contrário, estaremos a justificar os meios utilizados em função dos fins preconizados.
Por isso, políticos, comentadores e comunicação social não devem mascarar este tipo de atitudes e comportamentos sob pena de termos em Portugal uma conjuntura idêntica aquela que fora vivida em França, não há muito tempo. Haja, por isso, muito juízo.

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