A pandemia anticomunista

Crónica de Opinião
Quinta-feira, 19 Novembro 2020
A pandemia anticomunista
  • Eduardo Luciano

 

 

Este estado para onde nos atirámos desde Março parece ter bloqueado a o que restava da inteligência colectiva.

Era assim que me apetecia começar a crónica, mas não é correcto fazê-lo porque poderia ofender muita gente e não estamos em tempos de ofensas e porque, não correspondendo à verdade, não seria aqui o sítio próprio para tal desabafo.

As mentiras têm de ser ditas nas redes sociais por massas embrutecidas ou nas televisões, por gente fina com saudades dos tempos da ditadura.

Aqui é casa de gente séria e não convém contaminar o sítio só porque estamos aborrecidos e fartos de indigência intelectual.

Em Abril, o grande problema da pandemia era a comemoração do 25 de Abril. Em Maio foram as comemorações do dia do trabalhador que motivaram as grandes indignações de meia dúzia, repetidas de forma acrítica por muitos que abdicam de pensar e preferem surfar na primeira onda que lhes aparece.

Ainda Setembro vinha longe e já a grande preocupação era a Festa do Avante que teve direito à maior campanha negra que alguma vez se viu desde o fim da ditadura fascista.

A pandemia parece agravar-se só de alguns imaginarem que os comunistas continuam a viver, a lutar e a concretizar o que entendem ser essencial à defesa dos seus ideais.

A grande preocupação de novos e velhos provocadores virou-se agora para o congresso do PCP que se irá realizar em Loures em condições completamente diferentes de todos os que se realizaram depois da Revolução de Abril e apesar de reconhecerem o rigor com que o PCP prepara todas as suas iniciativas, não deixam de criar a onda para ingénuos bem-intencionados surfarem.

Os comunistas já explicaram que a afirmação políticas das suas posições não se cala nem se confina e que continuarão a sua actividade nas condições de segurança que as autoridades de saúde impuserem.

Foi assim na Festa do Avante, foi assim em Abril e Maio e será assim no Congresso de Novembro.

Durante os 48 anos de ditadura, em condições duríssimas, o PCP realizou os Congressos que entendeu necessários e decisivos para a sua vida interna, adaptando-se à realidade que a clandestinidade impunha, não seria agora que, permitindo a lei e com as restrições necessárias, iria abdicar de o fazer.

A grande questão dos que atacaram o 25 de Abril, o primeiro de Maio e a Festa do Avante (que permitiu demonstrar que era possível acontecer criação e fruição cultural mesmo em tempos de pandemia) não é a possibilidade de propagação do vírus ou as condições sanitárias em que se realizam. Para estas alminhas, o problema é a existência do PCP.

São três pandemias em simultâneo: o Corona, o medo e o anticomunismo mais cavernícola.

Até para a semana

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