A pandemia e o futuro

Nota à la Minuta
Quinta-feira, 25 Junho 2020
A pandemia e o futuro
  • Alberto Magalhães

 

 

É extraordinário como o percurso da pandemia, a nível local, nacional e global, tem gerado uma diversidade tão grande de reacções, mas, sobretudo, de previsões sobre o futuro incerto, podendo ir das mais utópicas às mais conspirativas. Uns, tendem a julgar que nada será como dantes, outros que a pandemia não passa de uma invenção.

Há quem invoque os filmes-catástrofe – em que todos os países têm de pôr de lado os ódios e conflitos, para combaterem unidos uma ameaça global, como um asteroide ou uma invasão de marcianos – para apelar à realização da paz e harmonia universais em torno do combate ao coronavírus, única forma de evitar a barbárie ou mesmo a extinção da espécie humana.

Outros, pelo contrário, prevêem o fim da globalização e o fechamento, cada vez mais profundo e egoísta, dos países e regiões, quiçá um aumento da conflitualidade social com base na fome e no desespero.

Há quem, no extremo oposto, desconfie de que a pandemia é apenas um pretexto para os estados limitarem as liberdades individuais, impondo injustificadas leis de excepção aos cidadãos, em nome da segurança, como já tinham começado a fazer com o pretexto do terrorismo.

Navegar nestas águas agitadas, tentando manter o equilíbrio, o bom senso e o sentido das proporções, sem alarmismos, mas sem desvalorizar os perigos (sejam os para a saúde pública, sejam os económico-sociais, sejam os políticos), é um exercício difícil. Mas não lhe vejo alternativa.

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