A pele de vítimas não fica bem aos homens

Nota à la Minuta
Segunda-feira, 18 Fevereiro 2019
A pele de vítimas não fica bem aos homens
  • Alberto Magalhães

 

 

Segundo o jornal Público de sexta-feira, dia 15, entre 2014 e 2017, contabilizaram-se em Portugal 532 acidentes mortais ou, descontando as mortes em viagem ou em deslocações casa-trabalho, 416. Desses, apenas 159 – ou seja 38% – deram origem a processo-crime por falha de segurança. Alguns, poucos, foram julgados como homicídios por negligência e noutros a negligência foi atribuída ao próprio trabalhador. Na sua maioria terão sido arquivados por falta de provas.

O movimento operário em Itália designa estas mortes por omissão de regras de segurança ou falta de meios para prevenir desastres, “homicídios brancos”, por não estar identificado, directa e claramente, o homicida.

Mas atenção, o branqueamento, no jornal Público, pela pena da jornalista Ana Dias Cordeiro, não respeita só à autoria do crime. Também a identidade da vítima não é inteiramente revelada. Se ficamos a saber que se morre mais na faixa etária dos 45-54 anos e sobretudo na construção e na indústria transformadora, mas também na agro-pecuária, pesca e florestas e, ainda, em armazéns e oficinas de veículos automóveis, o trabalho omite, suspeito que propositadamente, o sexo das vítimas mortais.

Talvez por, na sua esmagadora maioria, serem do sexo masculino e não assentar bem, aos homens, a pele de vítimas.

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