A política ‘Zero CO2’

Nota à la Minuta
Terça-feira, 22 Setembro 2020
A política ‘Zero CO2’
  • Alberto Magalhães

 

 

O Governo apresentou ontem um primeiro esboço do Plano de Recuperação e Resiliência, onde pretende gastar os cerca de 13 mil milhões de euros que conta receber da UE, a fundo perdido, até 2026, para fazer face à crise económica e social provocada pela pandemia. Mas, por exigência da União, o Governo tem de gastar uma parte substancial do dinheiro no que chamam de ‘transição digital’ (3000 milhões) e de ‘transição climática’ (2700 milhões). Os restantes 7200 milhões serão gastos nas chamadas medidas de resiliência, destinadas a ajudar o país a recuperar e ultrapassar os efeitos da pandemia. Aqui, o governo quer incluir medidas de fortalecimento do SNS e de resposta a vulnerabilidades sociais, no valor de 3200 milhões de euros.

Numa jogada antecipatória de mestre, a EDP já se anda a fazer à fatia da ‘transição climática’, seja lá o que isso vier a ser, enviando-nos a Catarina, filha da Carolina Loureiro, que ainda não a conhece porque ela ainda não nasceu. Compreendem? A Catarina está seguríssima, a querida, de que vai viver num mundo mais azul, porque a EDP adoptou o verde, ou seja, a política de ‘Zero CO2’.

Claro que lutar pela extinção do dióxido de carbono seria um erro, sem ele as plantas morreriam, não produziriam oxigénio e os animais, incluindo os humanos, morreriam também. Alertada com certeza para o disparate a Catarina moderou-se. Agora, só quer neutralidade carbónica. Temo que, para isso, tenhamos de gastar muito mais do que os 2700 milhões que a UE, generosamente, nos quer adiantar.

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