A pose de Aníbal na posse de Marcelo

Nota à la Minuta
Quarta-feira, 10 Março 2021
A pose de Aníbal na posse de Marcelo
  • Alberto Magalhães

 

 

Cavaco Silva foi sozinho à tomada de posse de Marcelo Rebelo de Sousa. Ao vê-lo sem a esposa Maria, logo cogitei que esta poderia ter acordado indisposta ou, hipótese também plausível, se tivesse recusado a acompanhar o marido à posse do “catavento”. Certo é que, finda a cerimónia na Sala das Sessões, quando todos se encaminharam para o Salão Nobre, onde decorreu a cerimónia protocolar de cumprimentos ao Presidente da República empossado, Aníbal abandonou o edifício da Assembleia, sem dar cavaco a ninguém.

Contactado o seu gabinete pela agência Lusa, este informou que o Professor “teve imensa honra em estar na cerimónia”, mas que “teve de regressar a casa logo que esta terminou”, não adiantando a razão. Coisas domésticas, porventura.

Mais interessante, a comparação entre os modos duros e exagerados de Cavaco quando, recentemente se referiu a Portugal como se vivêssemos numa “democracia amordaçada” (uma canelada em Mário Soares, autor do “Portugal Amordaçado” e uma dentada no odiado António Costa), e o modo lúcido, mas educado, como Marcelo falou no seu discurso de posse (e cito):

“Queremos uma democracia que seja ética republicana na limitação dos mandatos. Convergência no regime e alternativa clara na governação. Estabilidade sem pântano. Justiça com segurança. Renovação que evite ruptura. Antecipação que impeça decadência. Proximidade que impossibilite deslumbramento, arrogância, abuso do poder. Assegurá-lo é a primeira prioridade do Presidente da República para estes cinco anos.”

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