A posição portuguesa na crise russa

Crónica de Opinião
Sexta-feira, 30 Março 2018
A posição portuguesa na crise russa
  • Rui Mendes

 

O acto praticado pela Rússia em território da Grã-Bretanha, de envenenamento com substância tóxica de origem russa de um antigo espião e da sua filha, terá que ser fortemente censurado. Quer pela gravidade do acto em si, quer por ter criado uma crise internacional, o que é inadmissível.

O Governo do Reino Unido, e bem, contestou perante a Rússia da forma em que o deveria ter feito. A diplomacia do UK mostrou neste caso porque tem a força que tem, e mostrou também, como lhe é próprio, que não tem ambiguidade na sua política externa.

Os aliados mostraram não só a sua solidariedade à Grã-Bretanha, como uma clara reprimenda à Rússia para que algo semelhante não volte a acontecer.

E fizeram-no em força, 26 países deram ordem de expulsão a 160 diplomatas russos.

Portugal enquanto membro europeu e da NATO confirmou o apoio às posições assumidas, tendo a NATO expulso diplomatas russos que estavam com funções naquela organização.

Mas enquanto país, que recorde-se é membro da União Europeia, teve posição diferente.

Posição que será de difícil compreensão, desde logo porque é diferente da posição tomada por Portugal enquanto membro da NATO. Mas também porque o Reino Unido é o nosso mais antigo aliado e seria absolutamente natural que Portugal tivesse mostrado uma posição de maior solidarização, tal como o fizeram outros 14 países europeus. Mas ainda porque face a um acto de tamanha gravidade Portugal não apontou uma posição forte.

Portugal não esteve bem. Teve uma posição incoerente e todas as posições que não são coerentes mostram fraquezas. Portugal para além de mostrar fraqueza demonstrou também uma falta de solidariedade perante aqueles que ainda no passado recente, em momentos particularmente difíceis, estiveram connosco e nos ajudaram a ultrapassar um tempo que foi bastante difícil.

Pese embora a chamada a Lisboa do embaixador de Portugal em Moscovo tenha sido considerada pelo Presidente da República como um aviso e uma decisão forte do Estado português, esta posição não deixa de ser fraca se a compararmos com a que foi tomada pelos restantes países que se solidarizaram com a posição da Grã-Bretanha.

“Parece” que somos interesseiros. Quando precisamos apelamos à solidariedade e relembramos os nossos aliados do sentido do projecto europeu. Quando a questão não nos atinge directamente vamos fazendo uma espécie de jogo duplo. Incrível.

Esta posição do Governo português será de difícil compreensão, mesmo com as explicações laboriosas entretanto dadas pelo ministro dos Negócios Estrangeiros, ela não deixa de estar no patamar da difícil compreensão.

Boa Páscoa e até para a semana

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