A posse de Bolsonaro

Nota à la Minuta
Quarta-feira, 02 Janeiro 2019
A posse de Bolsonaro
  • Alberto Magalhães

 

 

Cá estamos em 2019. Devo confessar que, ao invés da habitual atitude esperançosa com que costumo enfrentar a ocasião, desta vez entro no ano novo com um incómodo que não sei explicar com clareza. Possivelmente, terá a ver com a tomada de posse, ontem, de Jair Bolsonaro como 38º presidente do Brasil.

Visto daqui, o homem que, segundo as sondagens, congrega a esperança de mais de metade dos brasileiros, parece ser, sobretudo, um candidato a autocrata, mais ao estilo truculento de Trump que do frio calculismo de Putin, a puxar ao sentimento nacionalista de uma forma que me fez lembrar o “Deus, Pátria e Família” de um velho ditador chamado Salazar. Percebo o desespero de quem o vê como a última oportunidade contra a corrupção desenfreada e a criminalidade epidémica. Mas receio que o desespero seja mau conselheiro.

Resta dizer, por hoje, que o discurso de Bolsonaro contra “a inversão de valores”, “a desconstrução das famílias” e “a ideologia que defende bandidos e criminaliza polícias” só tem o acolhimento que tem porque, do outro lado, do lado oposto do espectro político, a fúria de mudança e de combate à tradição, a chaga do politicamente correcto e, ao mesmo tempo, um belicismo em tudo semelhante, tem tentado impor um pensamento único, mas de sinal contrário.

Social Media Auto Publish Powered By : XYZScripts.com