A praga das alterações climáticas

Nota à la Minuta
Terça-feira, 11 Fevereiro 2020
A praga das alterações climáticas
  • Alberto Magalhães

 

 

Há muito, muito tempo, Moisés e Aarão entraram em contacto com o faraó e deram-lhe o recado do Senhor, Deus dos hebreus, que era mais ou menos assim: – deixa partir o meu povo para que me sirva, ou farei vir amanhã gafanhotos para o teu território. Eles cobrirão a superfície visível da terra e não se poderá mais ver a terra, eles comerão o resto do que escapou e o que ficou para vós depois do granizo.

Gafanhotos! Uma das pragas que Jeová fez abater sobre o Egipto, para que Moisés pudesse conduzir o povo judeu à terra prometida. Ontem, o jornal Público titulava:”Praga de gafanhotos levam ameaça de fome à África Oriental”; e continuava: “uma das pestes migratórias mais antigas do mundo está a pôr em perigo a segurança alimentar na África Oriental a uma velocidade surpreendente”. Aqui, tenho duas observações a fazer. Em primeiro lugar, o que tem caracterizado esta vasta região africana é a insegurança alimentar e raramente a culpa tem sido dos gafanhotos. Etiópia, Uganda, Somália, Sudão, são exemplos de Estados muito desastrados, para não dizer pior. Há dezenas de anos, a Etiópia era desgovernada por militares marxistas e a fome atribuída à seca, para dar apenas um exemplo de má atribuição de responsabilidades. Em segundo lugar, a velocidade a que as nuvens de gafanhotos se deslocam, já não devia surpreender alguém. Que diabo, são milhares de anos de experiência.

Diz o jornal que há 1/4 de século a Etiópia não enfrentava uma praga de gafanhotos desta dimensão e que o Uganda e o Sudão, que estão prestes a ser invadidos, não tinham problemas destes desde 1961. Milhões de pessoas arriscam-se a morrer à fome. O que irrita é que todo o artigo, assinado por António Rodrigues, está construído para nos vender que a culpa da praga de gafanhotos é, pois então, das alterações climáticas. Já Moisés vivia à conta delas.

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