A resiliência de Rio

Nota à la Minuta
Segunda-feira, 29 Novembro 2021
A resiliência de Rio
  • Alberto Magalhães

O destaque deste fim-de-semana vai, claro, para o jogo B-SAD – Benfica, que todos os intervenientes reconheceram envergonhar o país e que ocupou longas horas de unanimidade nas televisões nacionais. Logo a seguir, destacou-se a surpreendente vitória de Rui Rio nas eleições internas do PSD. Digo surpreendente, por não ser habitual um líder partidário ganhar contra a vontade expressa pela maior parte do aparelho e das figuras mais conhecidas do partido e, ainda, contra o desejo da maioria dos comentadores e da imprensa da sua área política. Por isso, apesar de ter ganho com pouco mais de metade dos votos, o feito de Rui Rio não é de somenos.

Rui Rio ganhou, mas Paulo Rangel não foi o único que perdeu. Perderam com ele os “passistas” que se lhe atrelaram, representantes da ala direita que queria ir além da troika; perdeu Marcelo que recebeu Rangel em Belém, numa traquinice escusada e, ao contrário do que gritou Ventura em cima da hora, perderam António Costa e o PS, a quem Rangel, na ânsia de federar a direita, deixaria disponíveis os eleitores do centro e que, com Rui Rio, se vêem na difícil posição de, para crescer à esquerda, à custa do PCP e do BE, poderem alienar muitos desses eleitores moderados e flutuantes.

Quanto ao Chega e ao IL, se poderiam ter mais pressão com um PSD de Rangel ideologicamente mais à direita, ganham espaço de crescimento com a vitória de Rio, embora, eventualmente, possam vir a sofrer se, porventura, o PSD conseguir gerar uma dinâmica de voto útil. Como apontou António Costa, Rio terá, para isso, a difícil tarefa de unir o seu partido.

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