A saída (?) do Reino Unido da UE

Crónica de Opinião
Sexta-feira, 15 Março 2019
A saída (?) do Reino Unido da UE
  • Rui Mendes

 

O Brexit criou um rombo na União Europeia e colocou o Reino Unido numa situação de caos político.

Desde a data em que se realizou o referendo, em 23 de junho de 2016, no qual os cidadãos britânicos votaram favoralmente a saída da UE, até hoje já se passaram quase 3 anos.

E durante este período o Reino Unido tem assistido à forte depreciação da libra, à saída do seu território de empresas que tinham elegido o UK para as suas sedes e, consequentemente, à perda de emprego de alta qualidade, perdendo assim uma parte da sua economia.

Durante todo este período de quase 3 anos poucas foram as soluções, mas muitos foram problemas que se criaram.

O Governo britânico terá a clara percepção das muitas perdas que o UK tem sofrido durante este período derivado ao Brexit, pelo que o Governo só já pretende é reduzir perdas. A saída com Acordo é precisamente um controlar os danos, razão porque é tão defendida por Theresa May.

É certo que o Brexit não acontecerá na data prevista, a 29 de março.

E não acontecerá porque o parlamento britânico ainda não chegou a um consenso que permita assegurar a aprovação do Acordo que admita uma saída da UE de forma regulada, e que possibilite ao Governo cumprir a vontade popular que foi referendada em 2016.

Só vamos sabendo o que os britânicos não querem em resultado do que vai sendo votado no parlamento.

Os britânicos não querem um novo referendo.

Os britânicos não querem uma saída sem acordo.

Ontem os deputados votaram uma proposta de Theresa May que adia a saída do UK para 30 de junho, caso o parlamento vote favoravelmente a última versão do Acordo celebrado com a UE. Algo que será pouco provável porque o parlamento do Reino Unido já mostrou que não está receptivo a consentir a saída com o Acordo que foi celebrado.

Parece que os parlamentares britânicos querem a saída mas têm medo do que acontecerá, porque a saída não deixa de trazer ao UK uma grande imprevisibilidade, e não querem ficar associados às perdas que o UK terá com a saída, pelo que vão adiando o quanto podem.

Por outro lado, o Governo quer fazer cumprir a vontade popular, fazendo valer o que a democracia ditou.

Os efeitos da saída também irão atingir a generalidade dos países da UE, e muito especialmente os países que possuem relações comerciais mais fortes com o UK, caso de Portugal, pelo que a saída dos britânicos da UE, seja em que contexto for, será sempre uma perda para a União Europeia.

Só os que não acreditam no projecto europeu estarão satisfeitos com o que se está a passar no Reino Unido.

Vamos ver qual vai ser o final de tudo isto, porque as incertezas são mais que muitas.

 

Até para a semana

Rui Mendes

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