A semana dos Blá-Blá-Blá

Crónica de Opinião
Segunda-feira, 15 Novembro 2021
A semana dos Blá-Blá-Blá
  • Maria Helena Figueiredo

 

 

Esta semana terminou marcada por muita negociação e poucos resultados na Cimeira do Clima em Glasgow e também por cá

e pela primeira entrevista do 1º Ministro depois do chumbo do Orçamento.

Já a semana passada falei aqui da situação que se prefigurava para a constituição do Executivo municipal, mas estava ainda aberta a negociação e a possibilidade de os vários partidos se entenderem para uma gestão “normal”.

Veio agora confirmar-se a incapacidade de CDU, PS, PSD e MCE se entenderem para a constituição de um executivo estável a quatro anos, abrindo um futuro de incerteza.

A CDU, enquanto força mais votada, tem a responsabilidade de tomar as iniciativas e de propor aos parceiros um acordo de governação. Mas acantonou-se na sua posição de querer incluir a direita dizendo ou se faz acordo com o PS e PSD ou não há acordo. Presidente e um vereador vão assim assumir todos os pelouros sozinhos.

Já o PS fez finca pé na exigência de paridade na repartição com a CDU dos pelouros. E o PSD, por seu turno, não aceitou negociações com o PS, só queria negociar com a CDU.

Posicionamentos a que não são seguramente alheias as ambições destes partidos a nível nacional, especialmente agora que estamos à beira das eleições legislativas.

Mas enquanto CDU, PS e PSD negociavam o executivo, o Movimento Cuidar de Évora RIR/NOS pôs-se de lado e rejeitou qualquer pelouro, não querendo “meter a mão na massa” da governação; estranha posição para quem concorre à Câmara dizendo que é para ” cuidar” e quando pode fazê-lo se recusa a ter um papel verdadeiramente executivo na gestão municipal.

Agora todos afirmam que vão tentar executar o respectivo programa ou seja vamos ter pela frente uma gestão caso a caso, longe de uma visão e de um projecto coerente para o concelho. Uma gestão de barganha em que coligações positivas e negativas nortearão os destinos do concelho.

Enquanto isto, António Costa, em entrevista ao canal público de televisão, num exercício de malabarismo, mostrou-se magnânimo a não querer abrir feridas por causa do chumbo do orçamento, mas foi aproveitando todos os ensejos para, com ar conciliador, ir batendo nos partidos à sua esquerda, em especial no Bloco, chegando a dizer que Catarina Martins defendia a necessidade da sua saída da liderança do PS para que pudesse haver nova “geringonça”, o que se provou ser falso.

Como não foi verdadeira a afirmação de António Costa de que o layoff simplificado tinha sido paga a 100% com verbas da Segurança Social, para justificar as divergências com a Esquerda sobre a sustentabilidade das medidas propostas agora no orçamento. Acontece que o layoff foi pago com verbas do orçamento e não da Segurança social, uma condição que foi posta pela esquerda durante as negociações do layoff.

Esta é a nova postura de António Costa, que visa granjear as simpatias gerais e o voto do eleitorado, especialmente do mais à esquerda, necessário para obter a almejada maioria absoluta. Mas este é um caminho que lhe fica mal.

Até para a semana.

Social Media Auto Publish Powered By : XYZScripts.com