A Síndroma do Tamiflu

Nota à la Minuta
Segunda-feira, 06 Abril 2020
A Síndroma do Tamiflu
  • Alberto Magalhães

 

 

Em Fevereiro de 2018, a Direcção Geral de Saúde (já sob a direcção de Graça Freitas) anunciava, através da agência Lusa, que procedera à destruição da reserva de Tamiflu, adquirida pelo seu antecessor, por 22,5 milhões de euros, em 2005, à espera da pandemia da gripe A (a chamada “gripe das aves”), que afinal acabou por faltar à chamada.

A minha teoria, podem chamar-lhe ‘da conspiração’, é que esse aparente desperdício, não será alheio à falta de aquisição atempada de material essencial para combater o coronavírus. O receio de gastar em vão mais uns milhões para uma epidemia que, em Fevereiro, estava lá longe, na China, terá feito hesitar demasiado consultores e decisores, provocando o que se tem visto de falta de material essencial.

Esta autêntica Síndroma do Tamiflu, se eu tiver razão, está a sair muito mais cara do que a medicação adquirida em 2005, que não chegou a ser usada. Agora, em 2020, os violinos dão-nos música, mas desafinam constantemente, e as directivas vão mudando à medida que se corre atrás do prejuízo. Primeiro, deixa-se o vírus chegar às prisões, depois (há uma semana), impõe-se o uso de máscaras aos guardas prisionais. Idem, para pior, com os lares de idosos; agora, estende-se o uso às polícias, aos bombeiros, aos cuidadores informais e, já falta pouco, a toda a gente.

Pior, só a DGS da Escócia. A senhora aparecia na televisão a aconselhar a permanência em casa e a desaconselhar as viagens e, ao mesmo tempo, esgueirava-se aos fins-de-semana, para a sua casa de praia, junto à costa leste. Pior, depois de ter dado este terrível exemplo a toda a população do Reino Unido e de ter envergonhado os escoceses face à velha Albion, declarou que estava disposta a continuar no cargo e levou horas a convencer-se que a demissão era o único caminho.

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