A situação americana não é tranquilizante

Segunda-feira, 10 Janeiro 2022
A situação americana não é tranquilizante

As coisas são o que são. Calamidade séria, mas longínqua, mexe menos connosco do que o que nos diz directamente respeito, mesmo que pouco relevante para o mundo. Por isso, sabendo que, na semana passada, fazia um ano sobre a invasão do Capitólio, em Washington DC, preferi defender a absoluta necessidade de afastar de vez a hipótese de cortar o direito de voto aos cidadãos em isolamento profiláctico. Aliás, vendo bem as coisas, invadir um parlamento ou desrespeitar uma constituição são actos de natureza semelhante, no desprezo pelos alicerces da vida democrática.

Apesar de tudo, mais importante para a ordem global é, evidentemente, a rendição do Partido Republicano perante o ex-presidente, conjugada com a desorientação da administração Biden e a cacofonia identitária dentro do partido Democrata, com o cortejo de denúncias, ‘cancelamentos’ e radicalismos idiotas, “tais e tantos, que será bom ter pudor de os contar seja a quem for” como dizia o Régio poeta. Em conjunto, tornam previsível a reconquista da maioria do Congresso pelos republicanos, nas eleições de Novembro, e muito provável a reeleição de Trump nas próximas presidenciais.

A divisão dos americanos em duas facções cada vez mais antagónicas sugere mesmo, a muito boa gente, a possibilidade de se caminhar para uma segunda guerra civil no país, com a agravante das armas estarem, maioritariamente, nas mãos dos apoiantes de Trump. Escusado será dizer que, com Putin na Rússia e Xi Jinping na China, o retorno de Trump à Casa Branca, porá em risco todas as democracias liberais.

Tudo isto, porém, se esbate face à problemática emblemática da prisão perpétua, introduzida pelo Ventura, essa besta do Apóscalipso, e mitigada por Rui Rio. Problemática que parece servir de linha vermelha entre os democratas delirantes e os nazi-fascistas resfolegantes. Amanhã se verá se é caso para isso.

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