A situação exige clareza

Nota à la Minuta
Quarta-feira, 06 Maio 2020
A situação exige clareza
  • Alberto Magalhães

 

 

Estamos agora numa fase de duplos constrangimentos: dizem-nos “fique em casa” mas também “temos de afrouxar o confinamento”; querem a abertura gradual do comércio mas, a toda a hora, nós os consumidores ouvimos a mensagem ‘é perigoso lá fora’; convenceram-nos de que as máscaras eram inúteis (e mesmo prejudiciais) e agora querem que confiemos nelas para nos proteger do ‘perigo lá fora’.

Ora, quando a autoridade nos pede dois comportamentos contraditórios entre si, ou seja, quando para obedecer a uma ordem, temos que desobedecer a outra (e vice-versa), arriscamo-nos a enlouquecer ou, pelo menos, a produzir demasiado cortisol – a hormona do stress – que, quando produzido em excesso, pode ser bastante nocivo para a nossa saúde, física e mental.

A situação actual exige clareza. Mas quem se atreve a dizer ao país que, com protecção especial para os grupos de risco (idosos e doentes crónicos) e protecção adequada para os que correm menos riscos (crianças, jovens e adultos saudáveis), a vida tem de recomeçar, fora de casa? E que, se assim não for, será criado um fosso perigoso, entre os que – ainda – têm o seu rendimento assegurado, e preferem não correr riscos, e os que já correm o risco de não ter comida para si e para os filhos, se não se arriscarem a sair?

Como o fosso, que parece cada vez mais aberto, entre os europeus ricos do Norte e os pobres do Sul. Como ontem se viu, com a decisão do Tribunal Constitucional da Alemanha, a pôr em causa a legitimidade da política do Banco Central Europeu, para a compra de dívidas soberanas. Se for avante, teremos mesmo uma calamidade no horizonte.

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