A solução Maioria Absoluta do PS

Nota à la Minuta
Terça-feira, 02 Novembro 2021
A solução Maioria Absoluta do PS
  • Alberto Magalhães

 

 

Há quem acuse António Costa de ter provocado o chumbo do OE, para provocar eleições antecipadas e se libertar dos parceiros à sua esquerda, através da obtenção de uma maioria absoluta. Estou tentado a acreditar que, se o primeiro-ministro não cedeu mais aos camaradas esquerdistas, foi por saber que isso poria em causa a nossa posição na UE e junto dos nossos credores e investidores estrangeiros. Seja como for, as autênticas guerras intestinas no PSD e no CDS mais a desilusão do eleitorado do PCP e do BE que, a propósito, já fervilha de indignação, poderão tornar a maioria absoluta do PS, sozinho ou com a ajuda do PAN, aos olhos de muitos eleitores, uma solução capaz de estabilizar o sistema e evitar berbicachos.

No entanto, nem tudo são rosas para o PS. Em primeiro lugar, a teimosia de António Costa na recusa de substituir ministros que fragilizavam o Governo foi-se agravando com o tempo. No primeiro governo, relembro Constança Urbano de Sousa na tragédia de Pedrogão e o incrível Azeredo Lopes no carnaval de Tancos, mantidos até ao limite por Costa. Deste segundo governo, apenas destaco, por falta de tempo e não de assunto, o eterno futuro ex-ministro Eduardo Cabrita.

Em segundo lugar, as trapalhadas foram-se sucedendo nestes seis anos e, não sendo mortais, foram moendo a paciência de muitos cidadãos. O aeroporto encostado à Zona de Protecção Especial do Estuário do Tejo; a comissão de honra de Vieira; as propinas de borla para 2029, quando os maiores de 18 anos forem obrigados a estudar na Universidade; a declaração prematura da morte dos carros a gasóleo; querer pôr a tropa a dizer “marinheiras e marinheiros”, “pilotos e pilotas”; a recusa do apoio do PSD para aprovar os OE; os procedimentos disciplinares instaurados a polícias que dão tiros para o ar, para conter multidões; as cativações; os ministros a 200 Km/h sem justificação.

Em resumo, um desgaste apenas contrariado pela pandemia, ou melhor, pelo medo à pandemia que permitiu que fossem desculpadas todas as piruetas com máscaras, fechos de escolas, eventos políticos, etc., etc., e que culminou num processo de vacinação espectacular. Mas devo confessar: o que me custou mais, foi ouvir António Costa dizer, sem pestanejar: “Aquilo que nós sabemos é que é nosso dever ter estas normas… diga a Constituição o que diga”. Como diz que disse?

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