A suave demissão de Cristina

Nota à la Minuta
Quinta-feira, 10 Dezembro 2020
A suave demissão de Cristina
  • Alberto Magalhães

 

 

A demissão de Cristina Gatões, por demasiado tardia e – ainda por cima – apresentada em comunicado do ministério da Administração Interna como sendo da sua própria iniciativa, sem nenhuma alusão aos nefastos acontecimentos de Março e ao seu estranho desenrolar por meses a fio, acaba por não aliviar a pressão sobre o ministro Eduardo Cabrita.

Pior, alegando ter sabido das suspeitas de homicídio que recaíam sobre três agentes do SEF apenas no dia 30 de Março, com a detenção desses agentes, e agora que é público que a direcção do SEF estava informada das suspeitas da PJ, desde o dia 19, o ministro, em vez de demitir imediatamente a direcção do SEF por deslealdade e omissão de informação essencial, deixa Cristina Gatões sair, sem uma referência ao caso, e promove José Luís Barão (seu antigo chefe de gabinete e adjunto da demissionária) a director do SEF, ainda que em “regime de suplência”.

A situação atingiu uma tal gravidade que até Ana Catarina Mendes, líder parlamentar do PS, apesar de negar a necessidade de demissão do ministro, concedeu, ontem à noite no programa “Circulatura do Quadrado” que “a directora do SEF dever-se-ia ter demitido de imediato” e lá foi dizendo que o comunicado do MAI a anunciar a demissão de Cristina Gatões era (e cito) “um comunicado muito pouco confortável para quem defende o Estado de direito”, e “a instituição SEF sai muito fragilizada com estes 10 meses como se nada tivesse acontecido e com uma directora em silêncio. Podia ter morrido mais alguém,“ acrescentando, “espero que o responsável político quando for ao Parlamento possa explicar”. E, digo eu, o ministro terá muito que explicar.

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