A táctica do Presidente

Nota à la Minuta
Quarta-feira, 16 Junho 2021
A táctica do Presidente
  • Alberto Magalhães

 

 

Perante uma Hungria apostada em defender a sua área com unhas e dentes, Portugal entrou no Euro com muita posse de bola, mas a deixar os adeptos nacionais a interrogar-se, mais uma vez, se a ineficácia em chegar à baliza faria parte da táctica dita “jogar mal e, no fim, ganhar”, a que Fernando Santos nos habituou. Pelos vistos era. A dez minutos do fim, com os húngaros já convencidos de que davam conta do recado e até poderiam ganhar, o treinador luso enviou Rafa e Renato Sanches para furar a muralha amolecida e foi o que se viu e o que viram, ao vivo e a cores, 5 mil portugueses e 55 mil húngaros das bancadas do estádio Puskas.

Isto passou-se ontem, num dia em que, com Covid-19, morreram dois portugueses e 10 húngaros, mas os novos casos chegaram a 973 em Portugal e ficaram pelos 57 na Hungria. Nos cuidados intensivos, estavam por cá 79 doentes e, por lá, 44. A população da Hungria é ligeiramente inferior à nossa, não chegando aos 9 milhões e 800 mil.

Digo mais: o número total de mortos ascende a cerca de 17 mil em Portugal e a quase o dobro – cerca de 30 mil – na Hungria. Casos activos, por cá são cerca de 25500 e por lá 45500. Falta dizer duas coisas importantes: primeiro, que a população húngara tem, quase toda, pelo menos uma dose de vacina e metade já tem duas doses; segundo, que a recuperação económica da Hungria, é das mais rápidas da UE e nos faz parecer parados.

Talvez reflectindo nisto, o presidente da República, mesmo antes de sentir o estádio Puskas a vibrar com 60 mil desconfinados, tenha posto os pés à parede e insistido que não contam com ele para retroceder ao confinamento ou seja, que não haverá mais estado de emergência e suspensão de direitos fundamentais.

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