A TAP, prenda e fava

Nota à la Minuta
Quinta-feira, 23 Dezembro 2021
A TAP, prenda e fava
  • Alberto Magalhães

 

A Comissão Europeia aprovou, em vésperas de Natal, o Plano de Reestruturação da TAP. Quer dizer que nos autorizou a nós, portugueses, a ajudar a nossa companhia aérea com 2550 milhões de euros… desde que cumpramos certas condições, claro está, que a nossa gente é mansa. Coisa pouca e um presente de Natal para o ministro Pedro Nuno Santos, que rejubilou. Não sei explicar por que diabo não rejubilo eu, antes tenho a sensação de que nos saiu a fava do bolo-rei. Prefiro, pois, deixar a economia sossegada e voltar-me para um poema natalício de Vasco Graça Moura, onde, afinal de contas, sair-nos a fava pode até ser bom sinal:

a fava

espero que me calhe aquela fava

que é costume meter no bolo-rei:

quer dizer que o comi, que o partilhei

no natal com quem mais o partilhava

numa ordem das coisas cuja lei

de afectos e memória em nós se grava

nalgum lugar da alma e que destrava

tanta coisa sumida que, bem sei,

pela sua presença cristaliza

saudade e alegria em sons e brilhos,

sabores, cores, luzes, estribilhos…

e até por quem nos falta então se irisa

na mais pobre semente a intensa dança

de tempo adulto e tempo de criança.

in ‘O Retrato de Francisca Matroco e Outros Poemas’

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