A Tertúlia Libertas e a xenofobia

Nota à la Minuta
Terça-feira, 30 Abril 2019
A Tertúlia Libertas e a xenofobia
  • Alberto Magalhães

 

 

Burburinho na Faculdade de Direito de Lisboa. A Tertúlia Libertas, grupo satírico com pergaminhos, teve a infeliz ideia de “oferecer” pedras, numa banca, com a condição de serem atiradas a “zucas”, ou seja, “brazucas”, quer dizer, a colegas brasileiros. Entre parêntesis, justificava-se: “que passaram à frente no mestrado”.

Os alunos visados trataram de protestar – e com razão – contra o apelo à violência xenófoba. O reitor da Universidade, apressou-se a prometer processos disciplinares e punições exemplares. Não sei se houve tamanho alvoroço quando, durante uma visita de Passos Coelho, então primeiro-ministro, a Tertúlia se passeou na Faculdade com um coelho enforcado, mostrando falta de gosto muito semelhante.

A subdirectora da Faculdade, Paula Vaz Freire, condenando embora a brincadeira ofensiva, acabou por explicar o parêntesis. O problema surgiu quando reformularam o regulamento de entrada no mestrado e passaram a abertura dos concursos para Março e Abril, altura em que os alunos portugueses ainda não acabaram as licenciaturas e não podem, por isso, candidatar-se. Além disso, os colegas brasileiros chegam com notas bem mais altas, pois em Lisboa, por tradição, as notas nunca são elevadas. Conclusão: 60% dos alunos de mestrado são brasileiros. A Faculdade ganha pontos por ter muitos estudantes estrangeiros e a ira dos alunos locais vira-se contra estes.

Bem, um porta-voz da Tertúlia já veio dizer que, pelo contrário, a “instalação” visava, precisamente, satirizar e combater a xenofobia contra os colegas do Brasil, mas foi mal-entendida. A defesa nos processos disciplinares já está montada, por quem de Direito, e a Professora Vaz Freire promete resolver o assunto do acesso ao mestrado de forma mais justa.

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