A Ucrânia nas mãos do Império

Nota à la Minuta
Terça-feira, 15 Março 2022
A Ucrânia nas mãos do Império
  • Alberto Magalhães

A Ucrânia foi independente entre 1918 e 1922, quando se juntou à Rússia e à Bielorrússia para fundar a URSS. Em 1932-33, para castigar os camponeses ucranianos que se opunham à colectivização das terras, Estaline esbulhou-os até ao último grão de cereal, provocando o Holodomor (a morte pela fome), que exterminou milhões de pessoas. Com a implosão do império soviético, em 1991, a Ucrânia recuperou a sua independência.

Os verdadeiros amantes da liberdade não terão dificuldade em compreender a reacção popular quando o presidente Yanukovich, em 2013, resolveu suspender um acordo de associação com a UE e virar-se de novo para a Rússia, pondo-se a jeito para o abraço de urso putinesco. Meses de manifestações e protestos, numa revolta que ficou conhecida como Euromaidan, levaram ao derrube de Yanukovich. Foi uma espécie de 25 de Abril, de Revolução dos Cravos ucraniana, só que agora o opressor identificado não era o Estado Novo mas o imperialismo russo, não era o fascismo mas o comunismo.

O partido comunista foi ilegalizado, clamam por cá vozes de esquerda. Sim, foi ilegalizado. À semelhança do que aconteceu em 1974, em Portugal, com a União Nacional, partido único do regime salazarento. Causa espanto que os ucranianos não gostem dos seus opressores mais do que nós gostávamos dos nossos?

A resposta de Putin foi a anexação da Crimeia e o fomento da sublevação russófila no Donbass, em 2014. Como a manobra não causou demasiado escândalo, resolveu agora continuar. Mas desta vez teve várias surpresas.

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