A UE não está à venda?

Nota à la Minuta
Quarta-feira, 14 Dezembro 2022
A UE não está à venda?
  • Alberto Magalhães

Eva Kaili, eurodeputada socialista grega, vice-presidente do Parlamento Europeu, foi apanhada em flagrante delito com 150 mil euros em notas ensacadas, no seu apartamento de Bruxelas. Além disso, a polícia encontrou mais de 900 mil euros em sua casa e na de seu pai. Eva Kaili deu que falar quando defendeu no PE, no mês passado, que o Qatar era “um líder nos direitos laborais”, um exemplo a seguir no tratamento dado à mão-de-obra imigrante. Eva Kaili, aparentemente, deixou-se comprar e será só a ponta mais visível de uma rede corrupta, ao serviço da imagem e dos interesses do emirado, levando Roberta Metsola, a presidente do PE, a exclamar que “a democracia europeia está sob ataque”, mas a garantir que a UE “não está à venda.”

Mas o caso, de polícia, mas também de política, vem-nos, infelizmente, recordar a tendência da Europa para se deixar comprar sem cumprir as mínimas precauções quanto ao perfil dos compradores. Oligarcas russos e empresas estatais chinesas têm-se fartado de investir na Europa, comprando empresas estratégicas, políticos e clubes de futebol.

Sublinhe-se, no entanto, que, ao contrário da ladainha que se ouve no nosso país quando algum político é apanhado nas malhas da justiça, “à justiça o que é da justiça, à política o que é da política”, sem mais delongas o PE retirou-lhe a vice-presidência e o PASOK, o partido socialista grego, anunciou a sua expulsão, antes de qualquer condenação na justiça. Um exemplo a seguir.

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