A última do ano

Crónica de Opinião
Quinta-feira, 20 Dezembro 2018
A última do ano
  • Eduardo Luciano

 

 

Informou-me a DianaFM que esta seria a última crónica deste ano e essa informação acaba por condicionar o seu conteúdo, porque quando nos apontam o final de algo somos tentados a olhar para o passado para fazer balanços e avaliar as aprendizagens conquistadas.

Quando se trata de uma crónica deste cariz vamos de imediato à procura do que correu bem e menos bem na vida política e social que é sempre filtrado pela forma como vivemos, que apostas fizemos, em que mudanças apostámos e que consequências tiveram.

Quando espreito o retrovisor tenho uma estranha e contraditória sensação.

Por um lado mudei muito do que precisava mudar e conquistei uma convicta tranquilidade, que perseguia sem saber como perseguir e, não há outra forma de dizer isto, o balanço não poderia ser mais positivo.

Por outro lado, este foi o ano em que os fascismos de diversas matizes se afirmaram e se multiplicaram, o politicamente correcto e os moralismos, velhos e emergentes, se assumiram como a ditadura da conduta social, obrigando a exercícios de grande exigência se não quisermos ser trucidados pelos seguidores acéfalos do certo e do errado determinado pela moda imposta em cada momento.

Na vida política local foram concretizados avanços significativos na recuperação financeira do município, vários projectos caminharam para o início da sua concretização e é possível olhar para o futuro de uma outra perspectiva. Mas foi também o ano em que quem viabilizou durante 12 anos orçamentos desastrosos, teve a distinta lata de chumbar o orçamento mais próximo da realidade dos últimos 20 anos.

Este foi um ano em que aprendi a usar de forma mais inteligente a comunicação através das redes sociais, ou seja, reduzi em cerca de noventa porcento a sua utilização. Também aprendi que quando um sítio é mal frequentado ele não melhora com a minha presença e portanto não vale a pena o sacrifício. Alguns interpretaram isso como um certo desinteresse pela vida pública ou até um sinal de desistência.

Desenganem-se os que assim pensam. Continuo convictamente empenhado em contribuir para que as mudanças que entendo necessárias aconteçam e motivadíssimo para as fazer acontecer.

Foi um bom ano o que agora está a terminar. Não fosse o fascismo a alastrar, a comunicação social a piorar, os espreitas da vida alheia a legitimarem-se, o governo PS a comportar-se muitas vezes como governo PS, os oportunistas locais a surfar ondas que eles próprios criam, uns quantos que deixaram cair a máscara do comportamento leal e isento a que estão obrigados e teria sido um ano perfeito.

Para o ano ainda vai ser melhor. Prometo!

Como diz a minha prima Zulmira, a vida dá-nos sempre razão mesmo quando está pela hora da morte.

Até para o ano

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