A vacina maldita e o pânico europeu

Nota à la Minuta
Terça-feira, 16 Março 2021
A vacina maldita e o pânico europeu
  • Alberto Magalhães

 

 

Para início de conversa, sirvo-me da manchete da edição de hoje do DN: “Vacina suspensa, plano atrasa duas semanas”, continuando em letra mais miúda: “Arranque do desconfinamento marcado pelo revés na vacinação. DGS e Infarmed garantem que não há relação entre a administração da dose da AstraZeneca e os episódios tromboembólicos. Ainda assim, mais vale prevenir, e a primeira fase da vacinação derrapa até ao final de Abril”.

Acrescento dois títulos do Público de hoje, que resumem o resto da história: “Portugal, e boa parte da Europa, suspendem vacina da AstraZeneca, em reacção de pânico” e ainda “Suspensão obriga a adiar para Abril a vacinação dos professores”.

Resta dizer que, na Europa, cinco milhões de pessoas tomaram esta vacina, tendo sido relatados 30 casos de formação de coágulos sanguíneos em vacinados recentes. Dizem os mais desconfiados, que estes casos têm características raras, como o baixo número de plaquetas. Mas a maioria dos especialistas responde que, por um lado, todos os anos, na UE, muitos milhares de pessoas desenvolvem coágulos sanguíneos e que, por outro lado, mesmo que, hipoteticamente, houvesse uma relação de causa-efeito, o risco envolvido seria minúsculo (seis casos por milhão), muito menor que o risco envolvido na toma de outros medicamentos, incluindo algumas pílulas contraceptivas.

Mas, mais notável é a posição das nossas autoridades de saúde. Ao mesmo tempo, garantem que não há grande risco envolvido (e devem ter razão) mas seguem a onda de pânico europeu e suspendem a vacina… por precaução! Oxalá não dêem cabo da vacina, e não arruinem a reabertura, contribuindo dessa maneira para a quarta vaga pandémica.

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