A vantagem da loucura

Nota à la Minuta
Sexta-feira, 04 Março 2022
A vantagem da loucura
  • Alberto Magalhães

Partamos do princípio de que a Ucrânia será conquistada e o seu povo, a pouco e pouco, dominado. A NATO não intervirá. Alegadamente porque a vítima não pertence ao clube, mas de facto, porque os EUA e os seus aliados temem que uma intervenção sua contra a Rússia possa conduzir a humanidade ao holocausto nuclear.

Conquistada a Ucrânia, que se seguirá? Com base nas palavras de Putin, podemos ficcionar que, de seguida, a Rússia tomará conta da Geórgia e da Moldávia, antes que se ocidentalizem e se tornem membros da NATO, ou sequer da UE. Mais uma vez o Ocidente se absterá de intervir, já que o famoso artigo 5º só obriga a NATO a defender os seus membros.

Continuemos a ficcionar. Putin, confiante na sua impunidade e na pusilanimidade do Ocidente, decide anexar a Estónia, a Letónia e a Lituânia. Ah, agora a coisa fia mais fino, são três membros da NATO que estão sob ataque. A Organização tem obrigação de reagir. Pois tem, então e a retaliação russa? Pois não ameaçaram os russos, aquando da invasão da Ucrânia, que quem lhes fizesse frente se sujeitaria ao ataque nuclear? Se o Ocidente, nessa altura, levou a sério a ameaça de Putin, por que motivo avançaria então para o holocausto nuclear?

Dir-me-ão: porque nessa ocasião o ataque atingirá membros da NATO; Putin sabe disso e não se atreverá. Respondo: Putin atacará partes integrantes da Mãe Rússia e presumirá que o Ocidente não quererá provocar um holocausto nuclear. Para já, enquanto gravo, as suas tropas atacam com artilharia a maior central nuclear da Ucrânia.

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